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Origem dos Rezendes

Berço dos Rezendes

Adriana Fernandes Rezende
Março/2002

Diversas são as cidades mineiras que foram berço ou fizeram história com os Rezende, principalmente nas regiões da Zona da Mata e Campo das Vertentes.

Desbravadores e colonizadores portugueses e paulistas, pertencentes à bandeira de D. Rodrigo, penetrando nos sertões de Minas Gerais à procura de ouro e pedras preciosas, encontravam-se acampados ao pé da serra de Ouro Branco na região das Congonhas, por volta de 1681. Em uma de suas incursões encontraram os índios Carijós, fugidos da baixada do Rio de Janeiro, aldeados num território alto e estratégico. Este território ficava onde é hoje a cidade de Conselheiro Lafaiete, mais especificamente a parte alta da cidade, onde hoje se localiza a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, que tais índios ajudaram a construir. A este aldeamento indígena, os desbravadores chamaram de Campo Alegre dos Carijós.

Como foram encontradas as primeiras pepitas de ouro próximo ao Campo Alegre dos Carijós, houve uma corrida dos paulistas para a região, em busca de suas riquezas. Também com este objetivo, o bandeirante Bartolomeu Bueno de Siqueira, em 1694, tomou a caminho de Itaverava. Essa bandeira foi o ponto de partida oficial da descoberto de ouro nas "gerais", o que resultou no intenso povoamento da região, que era então denominada Minas Gerais dos Cataguás, nome característico dos índios que ali habitavam. Os cataguás também deram nome a um modesto arraial (entre Lagoa Dourada e João Ribeiro - atual Entre Rios de Minas) e à histórica fazenda Engenho Velho dos Cataguás. Nesta região verificou-se a epopéia das grandes descobertas de ouro, sendo aí documentado o encontro do primeira pepita de ouro em Minas.

Itaverava era o ponto de partida das bandeiras para outras regiões. O progresso e o povoamento da região fez o poder público colocar em vigor leis e justiças regulares, criando zonas de administração. Desta forma, foram surgindo as vilas e comarcas de Mariana, Vila Rica, São José do Rio das Mortes e outras.

Devido a conflitos judiciários e de jurisdição, a rainha D. Maria, que se encontrava enferma no Palácio de Queluz (Portugal), assinou o ato que criou a Real Vila de Queluz, desmembrando-a de São José del Rei (atual Tiradentes) e abrangendo os distritos de Glória, Redondo, Morro do Chapéu, Itaverava, Capela Nova das Dores, Carrapicho, Catas Altas da Noruega, Lamim, Santo Amaro, São Caetano do Paraopeba e Cristiano Otoni.

Pelo fato de existir a cidade de Queluz em São Paulo, o que acarretava problemas com a correspondência, em 1934 Queluz passou a denominar-se Conselheiro Lafaiete. Ainda Queluz, a vila destacou-se pela vitória sobre as tropas legalistas na Revolução Liberal de 1842 e é hoje residência de vários Rezendes. Na região foram fundadas fazendas que constituem patrimônio e história desta família.

Em 1625, a bandeira de Oliveira Leitão descobriu ouro nas águas de uma lagoa onde hoje fica um campo de futebol. Daí formou-se o arraial, elevado a distrito em 1750, com o nome de Lagoa Dourada, pela abundância de ouro na referida lagoa. O distrito originalmente pertencia ao município de São José del Rei, mas em 1892 passou a incorporar o município de Prados e em 1911 foi elevado à vila. Atualmente incorpora a região em que se situa a Fazenda Engenho Velho dos Cataguás.

O município de Prados foi criado em 1704 como arraial, quando sertanistas ali se fixaram em busca do ouro. A povoação cresceu em torno de uma capelinha, coberta de sapé, consagrada a Nossa Senhora da Conceição. Criada a freguesia em 1712, incorporava as capelas de Nossa Senhora da Lapa, Olhos d'Água, Santo Antônio, Lagoa Dourada e Nossa Senhora da Glória, da Ressaca. Em 1891 foi elevada à comarca. Em 1951, já havia desmembrado-se de Lagoa Dourada, Tiradentes, Resende Costa e Dores do Campo. Também aí, inúmeras fazendas foram fundadas pelos Rezende.

O cruzamento de duas estradas (uma que ligava Goiás ao Rio e outro que vinha do sul da Província, em direção norte) deu origem ao povoado hoje denominado Resende Costa. O desenvolvimento do povoado deve-se a três importantes fazendas da região: a dos Campos Gerais, a do Pinto e a da Lage. Em 1749, foi inaugurada a primeira capela do arraial, ao redor da qual construíram-se oito casas, pertencentes aos fazendeiros da região. As primeiras famílias que para aí se transferiram foram as de Resende Costa, Alves Preto, Pedrosa de Morais, Pinto e Lara, ligadas entre si por laços de parentesco. Em 1891, já distrito, recebeu a denominação de Nossa Senhora da Penha do Arraial da Lage. O complemento Arraial da Lage surgiu pelo fato de a cidade estar toda construída sobre gigantesca pedra. Em 1911, criou-se a vila de Resende Costa, com sede na povoação da Lage. Em 1938 a vila foi elevada à categoria de cidade. Era subordinada à Tiradentes, da comarca de Prados.

Em 1710, o bandeirante Manoel de Melo, após partir do arraial de Itaverava, ficou à espera de seus chefiados, divididos em três turmas que partiram em rumos diferentes. No local de espera, Manoel lançou os fundamentos de uma fazenda, onde fez explorações e pesquisas. Este local situa-se onde é hoje a Praça da Piedade, ponto central da cidade que passou a denominar-se Nossa Senhora da Piedade da Boa Esperança, atual Rio Espera. Próximo daí, exploradores portugueses encontraram uma tribo de índios pacíficos (cujo chefe chamava-se Bacaia) no povoado a que denominaram Lamim, em homenagem ao explorador José Pires Lamim, falecido e sepultado no arraial.

O arraial do Rio das Mortes surgiu em torno da igreja consagrada a Nossa Senhora do Pilar, no local hoje denominado Morro da Forca, atual São João del Rei.

Em 1718 a região onde se instalou a bandeira de João de Siqueira Afonso foi elevada à categoria de vila e denominada São José do Rio das Mortes. Mais tarde foi chamada São José del Rei, e hoje denomina-se Tiradentes. Em região próxima, hoje pertencente a São João del Rei, encontra-se o Sítio de Pombal, berço do ilustre inconfidente Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

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