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História da Família

Uma Breve História da Família de "Seu" João Pereira e D. Olides

José Geraldo Pereira Baião e colaboradores
Setembro/2002

Duas datas marcaram definitivamente o século XX. Não trata, porém, de acontecimentos como a passagem de um cometa famoso, nem do nascimento de algum ilustre cientista ou artista de renome mundial. Nada disso, o século XX foi marcado pelos especiais dias 14 de julho de 1915 e 07 de maio de 1920, momentos em que nasceram, respectivamente, João Pereira de Paiva e Olides Pereira de Rezende.

João Pereira nasceu em Alto Rio Doce (MG), e Olides é mel da própria terra - uma abreuense nata.

João começou a trabalhar muito cedo, exercendo o ofício de pedreiro nas construções de casas, igrejas, fazendas e outras edificações na região. Por conta da profissão, João viajava bastante e, numa dessas viagens, encontrou num baile de casamento em Abreus a jovem Olides, que tinha na época 15 anos de idade. Amor à primeira vista!

Com o tempo - e muitos bailes - os dois começaram a namorar, apesar da oposição do pai da jovem, coronel Sebastião Rezende, uma das figuras mais influentes de Abreus.

Mesmo diante da resistência do coronel, João e Olides se casam em 17 de outubro de 1938, na cidade de Dores do Turvo. Detalhe: o casamento foi celebrado pelo cônego Agostinho, primo de João Pereira.

Inicialmente o jovem casal foi morar na casa do sogro e por lá ficaram pelo período de um ano. O coronel acabou emprestando uma de suas propriedades - a fazenda Bom Destino - para o casal. A fazenda, nessa ocasião, era uma verdadeira tapera, abandonada, destruída, tomada pelo mato e habitada por cobras, aranhas, escorpiões e lagartos.

João e Olides trataram logo de reformar o novo lar e deram vida nova ao local. Se hoje a fazenda Bom Destino encanta por seu aconchego e beleza, deve-se ao árduo trabalho desse casal determinado e trabalhador.

No início da década de 40, João e Olides, depois de muito trabalharem, compram a fazenda Bom Destino, fazendo dali o seu lar definitivo.

João continuava a viajar muito por conta do ofício de pedreiro (que não abandonara), e Olides trabalhava em casa, cuidando da fazenda, da horta e das pequenas criações que o casal mantinha.

Em 25 de janeiro de 1940, nasce a primeira filha do casal, Geni, com o auxílio da parteira Sá Virgínia Venâncio.

Em sua segunda gravidez, Olides teve sérias complicações e foi levada às pressas para a cidade de Barbacena, onde sofreu um aborto cirúrgico. O médico que a atendeu foi categórico: Olides não poderia mais ter filhos. Mas o destino foi generoso com o casal e eles tiveram ainda José, Juraci, João, Sebastião, Georgina, Jair, Aparecida, Lúcia, Gorete, Fátima, Geraldo e Marlene, além do pequeno Jaime, que faleceu aos oitos meses de idade.

Com a família crescendo, o casal João e Olides ampliou as atividades da fazenda. Criavam-se gado, porcos e galinhas. Olides produzia deliciosas quitandas que também eram vendidas em Abreus. Quase não se compravam mercadorias da cidade, pois praticamente tudo era produzido na fazenda Bom Destino.

João e Olides deram um grande salto em 1954. Foi nessa época que se instalou na fazenda Bom Destino o segundo alambique da região. A partir de então começou a ser produzida a famosa cachaça Rezendina, conhecida e apreciada hoje não só na região de Abreus, mas também em vários recantos de Minas Gerais e do Brasil. Dizem que a cachaça Rezendina chegou até mesmo aos confins desérticos do Saara. Tudo isso devido à qualidade e à tradição que sempre marcaram a história dessa cachaça cinqüentenária.

Em 1961, o Bom Destino instala uma usina de geração de energia elétrica, que era fornecida não só para a fazenda, mas também para toda a cidade de Abreus!

Por volta de 1962, instala-se na fazenda uma das primeiras máquinas de limpar arroz da região (antes o produto era socado manualmente no pilão de madeira). A encarregada pela máquina de limpar arroz era Olides, que desempenhava sua função com muito zelo e profissionalismo, recebendo encomendas de toda a região e até mesmo da distante Cipotânea.

Em 1971, João Pereira foi convidado para fiscalizar a construção da garagem principal da empresa de ônibus UTIL, em Belo Horizonte. O dono da empresa, Sr. Nelo, na necessidade de encontrar um funcionário honesto, trabalhador e, principalmente, acima de qualquer suspeita, acatou o conselho de um velho amigo, Sr. Osvaldo Couto, que sugeriu o nome de João Pereira.

Com o dinheiro que ganhou nessa empreitada, João Pereira investiu em terras, aumentando ainda mais os domínios do Bom Destino.

João Pereira foi o maior benfeitor de Abreus em todos os tempos. Não media esforços para melhorar a cidade, sendo realizações suas:

  • o planejamento e a construção do jardim da cidade;
  • o planejamento e a construção da casa paroquial;
  • o plantio das palmeiras imperiais que tanto embelezam nossa cidade;
  • o fornecimento de energia elétrica para a cidade durante 15 anos. Quando o prefeito João Moreira decidiu que a energia seria fornecida via Alto Rio Doce, João Pereira desbravou as matas para que a energia chegasse a Abreus;
  • o fornecimento de energia elétrica para as casas de São Vicente, incluindo os postes;
  • a criação do grupo de congados de Abreus;
  • a construção de uma das pontes da cidade;
  • a construção da caixa d'água da cidade.

João Pereira também ajudou na construção da igreja de São Sebastião, do cemitério e da quadra esportiva da cidade.

O casal João e Olides também foi inúmeras vezes festeiro em diversas festas da cidade, ajudando, assim, a preservar a cultura e a religiosidade do lugar.

Deve-se lembrar que João e Olides nunca exerceram cargo político, nunca foram candidatos a nada, nunca receberam benefícios indevidos da prefeitura e, o mais louvável, nunca cobraram reconhecimento por suas realizações em favor da cidade. Amaram-na, simplesmente.

Em abril de 2002, João Pereira nos deixou. Mas a família segue em frente, inspirada no vigor e na determinação desta grande mulher: D. Olides.

Orgulham-se da história desse magnífico casal seus hoje treze filhos, 29 netos e 12 bisnetos, além de todos os outros parentes e amigos da família.

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