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Dicionário Rezendino

Fundamental para entender a linguagem da família e da região de Abreus

Palavras

A - C - D - E- F- K - N - P - Q - R - S - T

A

ABRAÃO: [Personagem bíblico do Velho Testamento] s. m. O Abraão dos Rezendes não tem nada de santo. Abraão foi como o nosso Bráulio Rezende foi chamado displicentemente por uma figura de Abreus chamado Bartola. Fominha, driblador e egoísta ao extremo com a pelota, Bráulio é conhecido como o jogador que só quer jogar sozinho, sem tomar conhecimento dos companheiros de time. Pois Bráulio teve o seu dia: Bartola, jogando ao lado desse ilustre Rezende, ficou transtornado diante de tamanho egoísmo e foi logo disparando: "Toca a bola, Abraão!" O apelido pegou e o resto é história. A expressão bartoleana hoje em dia ganhou um significado próprio: entre os Rezendes, quando algum jogador está fomeando muito com a bola, alguém logo dispara: "Toca a bola, Abraão!", independentemente de ser ou não o nosso Bráulio Rezende. (Pô, toca a bola, Abraão!)

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C

CABITURA: s. f. O mesmo que cobertor, segundo o Tijão.

CACUMBU: s. m. Enxada pequena.

CADIQUIM: s. m. Um pouco, em pequena quantidade.

CAMINHÃO-COBRA: s. m. Caminhão-tanque. De acordo com o João Pola, esse tipo de caminhão não pode parar em seu trajeto, o que causava pavor entre a criançada do Bom Destino ao cruzar com caminhões-tanque na estrada.

COALHADA: [Originalmente, leite coalhado, usado como alimento.]
s. m. (?) Apelido que desmerece a quem se destina: o nosso grande craque do futebol Joubert Fabiano. O apelido foi dado por Juraci Pereira, outro ídolo do futebol abreuense, a seu pimpolho Joubert, em referência ao personagem ruim de bola Coalhada, do Chico Anísio (aquele que dizia "Eu boto onde quero"). Apesar de o nosso Coalhada não botar onde quer (é consenso entre os Rezendes que ele mais "leva" do que "bota"), o apelido pegou e hoje Coalhada virou uma marca registra do nosso querido Animal. Com o tempo, o próprio Juraci Pereira passou a ser chamado também de Coalhada, numa demonstração de que a língua está em perpétua transformação: hoje, para os Rezendes, Coalhada é sinônimo de quem entende de bola. [Sinônimos gerais para "Coalhada": Joubert, Animal, Dudu, Juraci, Véi Tó, Titó]

COMER PÃO COM MORTADELA: (expressão idiomática). Ir a um velório. Costume muito comum no povoado de Abreus é servir verdadeiras refeições durante os velórios. Os itens que mais sucesso fazem no "menu" são, de longe, a suculenta macarronada e o indefectível pão com mortadela. Já na "carta de bebidas", a boa e velha cachacinha da região é a preferência unânime. Numa bela e solarada tarde de julho, o Rezende Geraldo Pereira (Piriá), num gesto de altruísmo digno de Madre Teresa de Calcutá, disse a um motoqueiro que estava tentando ligar a moto completamente alcoolizado: "Se você continuar andando de moto bêbado desse jeito, não vai demorar muito e nós vamos comer pão com mortadela lá na sua casa". A expressão caiu na graça do povo e hoje, em Abreus, quando alguém diz que vai "comer um pão com mortadela" é sinal de que morreu alguém na cidade.

CUBU: [ou "Kuboo"] s. m. O famoso bolo (vide receita no menu Fogão de Lenha).

CUMPATÓ: s. m. Palavra utilizada pelo Zé Preto, ao se referir ao seu patrão e compadre Juraci.

CURÉ: adj. Sem saída, na sinuca.

CURUCA: s. m. Cachorro que fez história na fazenda (final da década de 70 / início dos anos 80).

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D

DEUSO: s. m. Termo com o qual o João Pereira Rezende (João Filho) designa o Todo Poderoso. Se você até hoje pensou que a forma correta era "Deus", pode ir tratando de mudar de idéia: definitivamente, não é "Deus" e sim "deuso". Vejamos a lógica da coisa: gatA (feminino) => gatO (masculino), meninA (fem.) => meninO (masc.), alunA (fem.) => alunO (masc.), filósofA (fem.) => filósofO (masc.), médicA (fem.) => médicO (masc.). Seguindo esse paralelismo, teríamos: deusA (fem.) => deusO (masc.). Raciocínio perfeito, insofismável e plenamente de acordo com o padrão do idioma. É, pessoal, tenho cá comigo que o nosso querido João Pereira Rezende desbancou o dicionário. Ai, meu deuso, e agora!
[Obs.: há também em Abreus quem utilize a forma "deusulu". Mas aí fica difícil de justificar, não é mesmo? Esse povulu du Abreusulu inventa cada uma!]

DIÓRGI RÉRINSSÓN: [Tradução pirialesca do antropônimo George Harrinson, ex-beatle falecido recentemente] s. m. Provável rabisco manuscrito por Geraldo Pereira ao escutar no rádio o nome do cantor da famosa música "Give me Love", do ex-beatle George Harrinson. Tião Rezende pediu para o Piriá ficar grudado no rádio e anotar o nome da música e do cantor, que tanto sucesso fazia nas priscas eras dos anos 70. Muito provavelmente, o nome da canção tenha sido grafado "guívimi lóvi", mas, como o famoso papilim perdeu-se nos desvãos da história, este verbete envereda pela pura suposição.

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E

EMBUCETADO: adj. Muitíssimo nervoso.

ESTAFOCADO: adj. 1. Estado, qualidade, condição ou característica de estafoco. 2. De ou próprio de estafoco. [Veja também "estafoco"]

ESTAFOCO: s. m. Que ou aquele que se encontra estafocado. [Veja também "estafocado"]

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F

FI: [Forma apocopada de "filho"] s. m. Apocorístico tipicamente mineiro e de sobejado uso em Abreus. Um abreuense de verdade pronuncia essa palavra, no mínimo, dez vezes ao dia. Forma carinhosa de designar não apenas o filho, mas qualquer pessoa de quem se goste. Ex.: "Volta pro ninho, meu Fi".

FRED MERCÚRIO: s. m. apelido do Toinho, criado pelo pessoal da tia Ni.

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K

KÁ-DI-FOSKI: s. m. O mesmo que caixa de fósforos, segundo a vovó.

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N

: interj. Expressão que designa espanto, admiração, surpresa, contentamento, satisfação, tristeza, alegria, susto. Enfim, esse termo tem 1.001 utilidades situacionais. Na verdade, essa palavra é a redução da expressão "Nossa Senhora Aparecida do Perpétuo Socorro!". Sendo uma expressão muito extensa, o povo do Abreus seguiu ao pé da letra a sugestão do pároco local - Pe. Rogério Rezende - e "cortou avulso": assim, "Nossa Senhora Aparecida do Perpétuo Socorro!" virou simplesmente "Nó!". Muito mais simples, descomplicado e funcional, e, além de tudo, ainda mantém o mesmo sentido da expressão original. Nó! que sacada!

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P

PANELEIRO: s. m. Apelido do Tifonso. Genericamente, pessoa nascida na cidade de Mercês.

PATROLA: s. m. Motoniveladora. Equipamento indispensável para conservação das estradas na região de Abreus.

PROJUDICADO: adj. O mesmo que prejudicado, segundo o Titó.

PIRIÁ: [Variante abreuense para "preá", ratinho roedor] s. m. A acepção deste vernáculo nos tradicionais dicionários, como "ratinho roedor", já está completamente descartada e desatualizada. "Piriá", nas plagas abreuenses, designa o ilustre e legítimo Rezende Geraldo Pereira. O termo aparece também na expressão abreuense-portunhola "El grand Piriá de la cabana", expressão que corresponde, numa tradução livre, a "fala, Piriá!".
[Sinôminos gerais para o verbete "Piriá": Geraldo, Geraldo Pereira, Lalado, Fiote, Fi, Quinto Beatle] Ex.: "Ô, Piriá, bota Jam Bailaio aí!".

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Q

QUINTO BEATLE: [De "The Beatles", conjunto de rock inglês surgido na década de 60 e que revolucionou o pop-rock internacional] s. m. Expressão que, de certa forma, homenageia os próprios Beatles, uma vez que se refere ao afamado Rezende Geraldo Pereira. Como é sabido, Geraldo Pereira não chegou a integrar a banda inglesa - por falta de espaço em sua agenda, visto que tinha de limpar diariamente os banheiros da UnB, estudar todas as noites na escola pública e ainda por cima passar o final de semana inteiro ao pé do rádio para gravar "Give me Love" para o Tião Rezende. A expressão surgiu pela falta que alguns freqüentadores da Cabana sentiram da foto do Geraldo Pereira ao lado das fotos dos quatro ilustres de Liverpool penduradas em ponto estratégico na Cabana de Abreus. [Vide também "Piriá"] (Tá faltando a foto do quinto beatle nessa parede)

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R

RABIÓ: s. m. Para a garotada do Bom Destino (do Jair para cima, em especial), era um perigoso monstro, mais temido que o bicho papão!

REMANSO: s. m. O "Nilo" que corta a Fazenda Bom Destino.

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S

SALAMBAIA: s. m. O mesmo que samambaia, segundo o Tijão.

SERROTE: s2g. Em Abreus, diz-se da pessoa inclinada a perturbar a paz alheia com reiterados pedidos de empréstimo de miudezas em geral [sin.: "pidão"].

SORIDE: s. f. O mesmo que Sra. Olides, segundo o João Pola.

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T

TAÍ: interj. Taí uma palavra difícil de traduzir para os leigos. Talvez seja essa a palavra mais condensada e completa do vocabulário não só abreuense mas de toda a língua portuguesa. "Taí" não se resume a uma palavra, sendo, antes de mais nada, uma filosofia de vida. "Taí" foi a palavra-expressão usada pelo sábio Sebastião Rezende para definir nada mais nada menos do que a própria vida. Tudo aconteceu, há muito, muito tempo, às margens do rio que corta o Bom Destino, quando, perguntado sobre as questões da fé e das convenções sociais, o sábio Rezende, em momento de sublime e iluminado êxtase, após longa e meditabunda pausa (deve-se registrar aqui que nunca se ouviu um silêncio tão avassalador em toda a história humana), simplesmente pronunciou: "Taí!". Boquiabertas, as pessoas que presenciaram tão luminosa observação, ouviram o desfecho magistral: "Olha esse rio: de onde ele vem? para onde ele vai?". Soberbo, definitivo, um clássico! É, Sebastião Rezende, a humanidade vai ficar te devendo esta. E os peixes do remanso também, alimentados que foram, não pela sabedoria rezendina, mas pelas minhocas atiradas ao rio pelo Rezende Geraldo Pereira (Piriá), cansado de tanto "papo furado". Taí, Piriá, primeiro o pão, depois a filosofia!

TICHE: s. m. Carne.

TIRIÇA: s. f. Doença de recém-nascido. O "cabrinha" fica todo amarelo, inclusive o branco do olho!

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